Vendedeiras saloias de regresso do mercado (aprox. anos 50).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exemplo de manjedoura para vários animais.

Fornecimento de água limpa por bebedouro automático.

Vedação de rede com instalação de cerca eléctrica.

 

 

 

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Os burros devem ter acesso a feno abundante.

 

 

Instrumentos essenciais à limpeza e higiene (almofaça, cardoa, escova de cabeça, ferro de cascos)

Passo 1 - Limpeza com almofaça (movimentos circulares).

Passo 2 - Limpeza com cardoa (no sentido do pêlo).

Passo 3 - Limpeza dos cascos.

 

Fase de aparação dos cascos.

Aspecto de um casco depois de aparado.

 Origem

O burro (Equus asinus) é um mamífero de médio porte que está ligado ao Homem desde os tempos mais remotos do Neolítico. Os registos mais antigos da sua domesticação provêm do Antigo Egipto. Admite-se que, na Europa, tenha surgido no quinto milénio antes de Cristo e se expandiu por todo o Continente.

As características do mundo rural português, com uma agricultura de baixa produtividade e propriedades pequenas, fizeram com que se tornasse indispensável aos pequenos proprietários. Os burros eram também muito utilizados para serviços de carga e transporte, assim como na produção de híbridos.

A crescente mecanização da agricultura e o desenvolvimento dos transportes retiraram utilidade aos asininos. Por serem considerados o parente pobre dos equídeos, foram sendo esquecidos no que diz respeito a medidas de protecção.
 De acordo com os últimos censos do INE, os índices de efectivos asininos na região Oeste do país colocam-nos em vias de desaparecimento, ao contrário de algumas zonas do país onde ainda é abundante.

O Tratamento do Burro

Apesar de este animal ser originário de regiões semi-desérticas e de se adaptar a viver sob as mais diversas condições, climas, tipos de relevo e habitats, porém, não dispensa de alguns cuidados básicos que devem ser tomados em conta. Também não se deve esquecer que o burro é um animal gregário, e não deve ser mantido sozinho, sendo sempre preferível manter pelo menos dois burros juntos. Caso não seja possível, poderá ser mantido com um animal de outra espécie (cavalo, cabra, ovelha, entre outros).

Alojamento

A fim de proporcionar as condições de alojamento essenciais à garantia da qualidade de vida destes animais, deve utilizar-se um sistema de estabulação parcial, que compreende uma zona coberta (estábulo ou abrigo) com acesso a um espaço aberto devidamente vedado.

A zona coberta deve ser bem arejada, mas também proteger o animal de correntes de ar e da chuva. Por seu turno, o estábulo ou abrigo deve ser regularmente limpo de estrume acumulado, um factor importante para a manutenção de um ambiente higiénico e preventivo de doenças. Não esquecer o pavimento, que não deve ser escorregadio, e deve ter uma área coberta de palha para os animais se deitarem.

Em contrapartida, o estábulo ou abrigo deve ainda obedecer a outros requisitos, nomeadamente a instalação de manjedouras colocadas à altura indicada (cerca de 1 metro do solo), limpas com regularidade de pó, sujidade e restos de comida, e o fornecimento de água fresca e limpa todo o dia, recomendando-se para isso os bebedouros automáticos e uma pedra de sal, fonte natural de sais minerais essenciais.

Em condições ideais, o estábulo deve ter acesso directo e estar aberto para uma área aberta ou cercado, protegida por vedações fortes e seguras, excluindo-se o arame farpado pelos perigos que apresenta (recomenda-se uma vedação electrificada). A área deve ser suficientemente ampla para os animais se exercitarem livremente e espojarem.    

 Alimentação

Uma boa alimentação deve ser rica em nutrientes, vitaminas, sais minerais e fibra. Contudo, o regime de alimentação a adoptar deverá ser adaptado a cada animal, em função da idade, do peso e da condição (caso das fêmeas gestantes e dos animais muito jovens), ao que se recomenda o aconselhamento do médico veterinário.

Regra geral, a alimentação de um burro deve ser abundante e variada, composta por feno ou palha de boa qualidade (fonte natural de fibra), disponível todo o dia, ração própria para equinos (levando em conta as considerações acima enunciadas), pasto caso possível ou frescos (fonte natural de vitaminas e importantes para o correcto funcionamento intestinal), caso das cenouras, nabos ou maçãs (em moderação). Em especial no Inverno, recomenda-se a adição de óleo vegetal em pequenas quantidades à ração.

As refeições devem ser administradas a horas regulares, de preferência 2 a 3 vezes por dia.

Note-se, que contrária à crença generalizada em Portugal, o pasto só por si não é uma fonte de alimentação suficiente, devendo ser complementado por feno e ração.

Em casos especiais (fêmeas gestantes ou lactantes, poldros, convalescentes ou burros muito idosos), a alimentação terá ainda de ser suplementada por compostos vitamínicos apropriados aos casos referidos.

Higiene

Os cuidados de higiene dados aos burros com regularidade são importantes e apresentam diversas funções. Escovar o burro simula um acto social típico dos grupos de equídeos, em que os laços afectivos entre o animal e o seu tratador são aprofundados. Em contra-partida, as tarefas de limpeza do animal facilitam a detecção de eventuais problemas em fase inicial, permitindo que se tome acção imediata. Finalmente, a rotina higiénica do animal é a base de uma vida saudável.

Os principais cuidados de higiene do burro são a escovar do pêlo, a limpeza dos olhos e dos cascos.

O pêlo dos animais deve, por rotina, ser escovado a uma frequência semanal; no caso dos burros residentes em espaços ao ar livre não se recomenda que esta operação seja executada mais vezes, sob o risco de retirar do pêlo do animal os óleos naturais de protecção aos agentes climatéricos. Ao se escovar o burro, deve-se seguir a direcção do pêlo, começando no pescoço e descendo para a traseira.

Ao se escovar o burro, recomenda-se, pela ordem descrita, o emprego de uma almofaça em movimentos circulares para soltar a sujidade, seguida da cardoa em movimentos descendentes para limpar os pêlos soltos. A cabeça deve ser escovada apenas com uma pequena escova macia para o efeito. Estas escovas são fáceis de obter em qualquer correaria ou loja de artigos equestres.

No caso dos burros idosos, por vezes o saco lacrimal fica obstruído, causado descargas de substâncias líquidas ("ramelas"). A sua limpeza é simples, bastando limpar à volta dos olhos com um algodão embebido em soro fisiológico ou água de rosas, um gesto que deverá fazer parte do programa de higiene do animal.

Por fim, a limpeza de cascos é muito importante para a remoção de sujidade e estrume acumulados ou ainda de alguma pedra entalada. Esta operação é vital à manutenção do casco saudável, funcionando como um complemento à aparação, pois permite detectar irregularidades como infecções ou até abcessos.

Aparação de cascos

Tal como noutros equídeos, o bem-estar do burro estende-se à manutenção dos seus cascos. Antigamente, os burros, enquanto animais de tracção, ao trabalharem exaustivamente desgastavam os cascos, o que levava a que muitos fossem até ferrados. Todavia, hoje, com o abandono da agricultura tradicional, o uso do burro foi sendo alterado, tornando-se primordialmente um animal de companhia, de lazer ou usado em trabalhos mais leves.

Por estas razões, os cascos do burro já não justificam a colocação de ferraduras, se bem que continuem a requerer cuidados apropriados, a fim de salvaguardar o bem-estar do animal e a sua mobilidade.

Assim, os cascos devem ser observados e aparados regularmente por um profissional especializado no trato destes animais, de preferência de 2 em 2 meses, se bem em certos casos a periodicidade desta operação poderá ser diferente.

De advertir, para as graves consequências que uma aparação executada por pessoas não especializadas poderá ter para o animal. O mesmo se aplica ao desleixo com estes cuidados básicos. A título de exemplo, 90% dos burros que chegam ao Abrigo do Jumento apresentam problemas nos cascos, alguns irreversíveis e crónicos, fruto de aparações deficientes ao longo dos anos ou de negligência dos antigos proprietários.

Cuidados veterinários

A saúde e bem-estar do burro dependem das boas condições em que são mantidos, da alimentação adequada e dos cuidados veterinários.

Os cuidados veterinários são de dois tipos: os regulares, essenciais a um animal saudável e de carácter preventivo ou correctivo, e os pontuais, quando o animal manifesta sintomas de doença.

No quadro dos cuidados regulares contam-se as vacinações anuais, em prevenção à gripe equina e ao tétano, que deverão ser administradas pelo médico-veterinário. Em simultâneo, o animal deve ser desparasitado por via oral, com medicamento apropriado de 3 em 3 meses, devendo haver o cuidado de alternar desparasitantes de largo espectro com outros mais específicos.

Um outro cuidado regular, e que se aplica sobretudo aos animais mais velhos, é a inspecção anual aos dentes, que deverá ser conduzida pelo médico-veterinário, e da qual podem resultar tratamentos dentários, tais como limar as pontas, as extracções ou corte de extremidades entre outros. Nalguns casos (burros idosos ou animais com problemas odontológicos) chegam a ser necessárias mais intervenções por ano.

No âmbito dos cuidados pontuais, aos primeiros sinais de doença, o médico-veterinário deve ser chamado sem demora. A título de exemplo, destacam-se as dermatites, normalmente sazonais, e que ocorrem com maior frequência nas mudanças de estação (Inverno/Primavera ou Verão/Outono), as pneumonias, mais frequentes no Inverno, e as cólicas que podem acontecer durante todo o ano (podem ter causas várias, mas as mais comuns derivam de mudanças bruscas na alimentação).