In Memoriam

Esta secção é dedicada a todos os burros que tocaram as nossas vidas e partiram, deixando para trás muitas memórias e saudade...

 
 
Castanho
O Castanho era um jovem burro cruzado de mirandês que foi adquirido pela Associação para dar apoio nas actividades com crianças.
Era um animal tímido, mas muito meigo, amigo dos outros burros.
A sua partida foi inesperada, vítima de uma ocorrência rara, uma torção gástrica, que lhe provocou uma morte súbita. Quando o encontrámos, o Castanho estava rodeado pelos seus amigos, que o guardaram até à nossa chegada.
Foi uma perda que nos chocou; o Castanho era um menino de apenas 3 anos, saudável e muito robusto.  
Até Sempre Castanhinho…

 
Magia
O Magia foi um animal de temperamento extraordinário, que, apesar da sua curta estadia connosco, deixou muita saudade.
Era um burro muito idoso, que nos foi entregue pelo facto do seu proprietário se encontrar hospitalizado e não o poder manter. A sua vinda para o Abrigo foi a única via para não ir para o matadouro. 
Encontrámos um burro mal nutrido, com extensas lesões cutâneas causadas por parasitas e fungos e ainda sofria de cataratas devido à idade avançada.
Este animal, sempre bem-disposto, alegre e vivaz, tocou-nos e cativou-nos com a sua magia. Em breve marcaria presença junto de todos, um velho senhor que amava a vida.
Num dia fatídico, o Magia sofreu um acidente. Apesar dos nossos esforços e de todos os cuidados veterinários que durante semanas lhe foram sendo administrados, acabou por falecer. Ainda assim, foi como se o Magia tivesse esperado pela nossa chegada para se despedir; encontrámos o seu corpo no campo, ainda quente, com a Rosa sempre por perto…
Quando o seu corpo foi levado, a Rosa, a sua amiga especial, seguiu o tractor até ao portão das instalações, claramente despedindo-se do Magia.
A partida do Magia deixou muita saudade e um vazio em nós. Até sempre lindo burrinho!
A imagem do burro em azul nos nossos azulejos e canecas foi inspirada no Magia.
 
 
 
 
Rinza
A estadia da Rinza entre nós foi deveras curta. Esta burrinha, que fez parte de um grupo de animais comprados a um comerciante de gado em Julho de 2009, morreu subitamente, sem causa aparente que não fosse uma ligeira constipação.
Era um animal muito doce e comunicativo e a sua perda foi um choque, que ainda hoje nos faz sentir amargura pelas circunstâncias desse trágico acontecimento.
Linda menina, hoje és uma estrelinha no Céu!




Rosa
A Rosa foi para nós uma burrinha muito especial, pois gostava e apreciava sobretudo, a companhia humana. Era um animal dotado de extrema sensibilidade, calma e doce, muito bela na sua essência. A idade muito avançada começou a manifestar-se nas artroses que formou nas articulações; os Invernos eram-lhe particularmente penosos e a Rosa passou a deslocar-se com alguma dificuldade e desconforto evidentes. Este Verão desenvolveu um abcesso massivo num casco, do qual levou muito tempo a recuperar, processo que a deixou muito debilitada. Com a chegada do Inverno, de manhã, a Rosa já precisava de ajuda para se levantar, mas depois, lá ia ela, dar o seu passeio, apanhar sol, muito devagarinho… porém, na semana anterior à sua morte, desenvolveu um novo abcesso, desta vez na articulação de uma perna; após o abcesso ter rebentado, parecia estar a redobrar as forças e a comer melhor, mas numa das manhãs seguintes, muito fraca, não se conseguiu levantar mais ou sequer ficar de pé com o nosso apoio. Os seus sinais de vida estavam muito fracos.
Com a ajuda do veterinário, a Rosa adormeceu nos braços do Diogo. Fica o desgosto da sua perda, o vazio que deixou em cada um de nós, mas resta o consolo que partiu muito amada, muito acarinhada, com a dignidade que todo o animal merece. 
Talvez, quem sabe, ela esteja reunida agora com o seu amigo especial, o Magia.
Até sempre linda princesa!



Pavarotti
É com imenso pesar que vimos partir o Pavarotti (†21.10). A sua estadia entre nós foi muito curta, apenas alguns meses, na certeza porém, que ele foi muito feliz nesse tempo. 
Quando conhecemos o Pavarotti, ele vivia junto a uma oficina de automóveis, no meio da sucata como animal de estimação. Foi entregue aos nossos cuidados pelos seus antigos proprietários, que sentiram que não reuniam as condições necessárias para assegurar o seu bem-estar e os cuidados veterinários que ele precisava, mas desejavam-lhe dar um final de vida respeitável. À chegada, apresentava, para além do aspecto pouco cuidado, uma locomoção muito limitada; movimentava-se muito lentamente, literalmente arrastando os membros posteriores, pelo que se suspeitou desde logo, que pudesse ter sofrido algum acidente do qual possa ter resultado uma fractura ou luxação da zona pélvica. Por esta razão, o Pavarotti ficou a viver em nossa casa no quintal, com outros animais mais pequenos, pois ficaria demasiadamente vulnerável no Abrigo do Jumento, sujeito a cair ao chão com as brincadeiras dos outros burros, sem se conseguir levantar por si. Ao fim de poucos dias, mostrou padecer de períodos dolorosos e precisar de acompanhamento veterinário. 
O Pavarotti, no curto espaço de tempo que passou entre nós, revelou ser um burrinho especial; bonito, meigo e muito simpático, era inquisitivo e apreciador da companhia humana. Era um animal sociável, bondoso e doce, gerando harmonia com todos em sua volta. Serão sempre inesquecíveis as cenas das refeições, em que partilhava de bom grado as suas cenouras com os gansos e a ração com os pintos ou as noites, em que encontrávamos o galinho a dormir sobre o seu dorso. 
Numa semana de muito calor, simplesmente deixou de comer. Foi medicado sob orientação do veterinário, mas sem recuperar o apetite. Passados uns dias, enfraquecido, deitou-se, sem se levantar mais, apesar dos esforços do seu veterinário. O Pavarotti faleceu na manhã seguinte, devido a uma inflamação e cólica intestinal.
Da sua breve passagem pelas nossas vidas, fica a certeza que lhe proporcionámos um fim de vida condigno e meses de uma existência feliz. 
Chamavas-te “Pavarotti”, nome de um famoso tenor, um nome digno de um burro tão nobre quanto tu. Adeus amiguinho. Imaginamos-te assim, junto do teu companheiro galinho, para sempre.


Boneca
A Boneca chegou à Burricadas no dia 1 de Janeiro de 2009. À chegada apresentava extensivas lesões cutâneas e um peso corporal baixo e, por isso, estava destinada ao abate. Com o devido acompanhamento veterinário e cuidados fez uma impressionante recuperação. Ao fim de pouco tempo, a Boneca, não obstante ser o mais pequeno dos residentes, mostrou ser um animal cheio de vitalidade e que sabia defender os seus direitos dentro do grupo. Apesar da idade avançada era naturalmente curiosa e gostava de acompanhar e observar os humanos em particular. Em 2010, a Boneca cegou repentinamente; adaptou-se a sua nova condição, mas passou a ter uma existência mais só, pois passou a isolar-se na segurança do estábulo.  
Em Agosto de 2012, a Boneca deu sinais de ter chegado ao fim do seu percurso. Um dia apareceu com um inchaço grande na perna e, apesar do imediato acompanhamento veterinário e da medicação, não teve melhoras e parecia ter desistido, como se estivesse cansada de viver. Deixou de comer e de beber e deitou-se, calma e silenciosa. A Boneca morreu tranquilamente, a 14 de Agosto, com a ajuda do veterinário, pois já não havia mais nada a fazer por ela, que não fosse ajudá-la a partir com dignidade. 
Fica-nos uma grande saudade desta tão querida menina e o vazio da sua presença, a quem conhecemos tanta vivacidade e uns olhos cintilantes como estrelas, mas que veio a perder ao cegar… 
As estrelas no firmamento irão sempre lembrar-nos do teu olhar. Descansa em Paz, para sempre, nossa burrinha bonequinha.



Gingko
A história da Gingko foi uma das mais bonitas, das muitas que se cruzaram no espaço do Abrigo do Jumento. A Gingko chegou ao Abrigo em Agosto de 2009. Fomos encontra-la no estábulo de um comerciante de gado, já posta de lado, destinada a abate. Ao primeiro olhar, ficámos de coração apertado perante o seu aspecto, que metia dó; era uma burra que aparentava ter idade muito avançada, muito magra, de orelhas caídas e olhar vazio, que emanava uma imensa tristeza, como que se soubesse o fim que se avizinhava. Perante isto, decidimos logo que ela teria o seu final de vida digno e em segurança no Abrigo do Jumento.
Em parte, o seu estado de subnutrição era devido a sérios problemas dentários que lhe dificultavam a mastigação. Após tratamento dentário e com uma dieta cuidada, a Gingko literalmente desabrochou a olhos vistos; aumentou de peso, ganhou vitalidade e até passou a andar de orelhas bem direitas. Com o tempo, a Gingko ficou uma burra muito curiosa e confiante e, apesar do seu tamanho, sabia impor o respeito aos restantes membros do grupo com quem vivia. No Inverno, crescia-lhe sempre um pêlo longo e espesso, que lhe dava um ar de peluche.
Em verdade, já tínhamos a percepção de que a vida dela não seria muito mais longa, pois era muito idosa e, no último ano, a idade avançada estava a dar os seus sinais. A Gingko começou a definhar e comia muito devagar, o que apontava para novos problemas dentários. Aliás,
nestes três anos que esteve connosco, a Gingko recebeu tratamento dentário por diversas vezes e chegou a ter de extrair dentes. Claramente, este problema agudizou-se e, muito recentemente foi submetida a novo tratamento, em que o veterinário lhe extraiu dois dentes soltos, que lhe causariam incómodo.
Não obstante a nossa preocupação e os cuidados redobrados que recebeu, a Gingko deixou de estar entre nós. Agora ficam-nos as muitas memórias, de momento passados com ela e que fizeram parte da vida no Abrigo do Jumento. Mas também fica o consolo que a protegemos, cuidámos, amámos e lhe demos a segurança necessária para que vivesse os seus derradeiros anos com dignidade.
Adeus peluchinha linda… vou ter saudades de te abraçar e de sentir o teu calor nas minhas mãos, em dias de frio…